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QPM

Segunda-feira, Outubro 03, 2005



Superficialidade.

:: Maris :: 1:31 PM ::


Quinta-feira, Março 03, 2005



Este blog acabou expirou feneceu esticou as canelas subiu no telhado e bateu as botas.

:: Maris :: 1:49 AM ::


Sábado, Janeiro 08, 2005



Eu estou morrendo de saudade
Eu estou neurótico
Eu estou ciumento
Eu estou apaixonado
Eu estou extasiado com seu e-mail
Eu estou entorpecido com suas notícias
Eu estou te imaginando em todos os meus atos
Eu estou querendo falar contigo
Eu estou imaginando você assistindo seus filmes
Eu estou imaginando até seu pai, contigo
Eu repito:
EU ESTOU APAIXONADO
e, digo mais:
eu estou COMPLETAMENTE apaixonado.

Beijos, beijos e mais beijos
Jay

Ps: entre e acabe com meu ciume, neura e saudade... com o resto eu posso continuar convivendo... com isso não, vá... =**********





:: Maris :: 5:39 PM ::


Terça-feira, Janeiro 04, 2005



Um dia encontrei um eu. Minha gente, um dia encontrei um outro eu.

Um eu que entendia e acompanhava fielmente minhas paixões efêmeras e que entendeu e que acreditou quando me apaixonei de verdade. Que me aconselha numas neuras e que tem exatamente as mesmas. Que compartilha segredos, piadas, músicas, desejos de coca-cola, chocolate e tudo novo de novo.

Uma menina que escreve muito. E muito bem e não acredita.
Que me elogia e eu não acredito.
Que tem a incrível capacidade de conhecer várias pessoas no orkut, de ter trinta e cinco mil ater egos, duzentos e trinta e três blogs e uma imaginação fantasticamente fantástica.

Que me fez gostar de Nick Hornby, só de ouvir o nome.Que se encanta com os mesmos livros que me encantam. Que pesquisa. Que procura saber sempre mais. E ainda se apaixona pelos personagens.

A menina que gosta exatamente das mesmas coisas que eu. Salvo seus deslizes musicais - como gostar de Engenheiros. Mas tudo bem, ela também tem defeitos.

Que tem um transtorno obsessivo compulsivo de criar blogs só para decidir o nome. E desistir deles uma semana depois. Uma obsessão semelhante acontece com homens altos, inclusive.

A que não gosta do Natal. E por isso espera a data passar para me mandar presente. A danada que achou os vagabundos iluminados e tudo graças às nossas conversas loucas pelo msn. Ela me escuta. Me pede indicações. Me faz criar personagens. E compactuar com suas insanidades.

Não, ela não é normal.

Uma amigona virtual que está intimada a conhecer o calor infernal do Nordeste. Nem que seja para passarmos o dia vendo Amélie Poulain, comendo porcaria, ouvindo Marvin Gaye e suspirando coraçõezinhos. (Prometo que ainda te dou a canja de te deixar entrar na internet.)

Bem, este é um post-despedida e eu resolvi fazê-lo pra ela. Assim sem mais explicações. Vou estar fora por um tempo. Vivendo - ou não. Já que pessoas importantíssimas pra mim vivem dentro deste monitor.

Muito obrigada e tudo de bom pra você, Paradise do meu Moriarty. Arturo do meu Bandini. Reflexo do meu espelho.

Nós captamos a vida, Sal, ambos estamos envelhecendo pouco a pouco e começamos a saber cada vez mais das coisas. O que quer que você fale a respeito da sua vida, compreenderei com perfeição. Sempre percebo teus sentimentos e agora você está no ponto...


:: Maris :: 8:45 AM ::


Quarta-feira, Dezembro 29, 2004



Quero me livrar dessa culpa
Me desculpa se eu não sou o que você quer
Quero desabafar essa mágoa
Segura minha mão
Enquanto eu ainda tô de pé
Pois não vou mais ficar calado
Sair de banda
Pra não te encontrar
Anda
Se manda
Pro tempo não te pegar
Creio demais em ti
Sei que não vou fugir
Nem vou escapar
Quero poder reagir
Olhar você sorrir
E não desabar


Recapitulando...

VINTE E NOVE DE DEZEMBRO DE DOIS MIL E QUATRO

O QUE É QUE A GENTE TEM FEITO DA VIDA, HEIN?

:: Maris :: 6:21 AM ::


Quarta-feira, Dezembro 15, 2004



Admito que de vez em quando vem essa vontade de amar o mundo, os passarinhos, as crianças birrentas, as pessoas xiliquentas, os errados, os estúpidos, os ignorantes, as conversas sem graça.

Me vem essa vontade de ligar o foda-se para qualquer conflito com meu próprio eu, de começar a ser alguém completamente diferente, participar de um grupo de teatro, de dança e aprender a tocar flauta.

Vontade de visitar meus pais todos os meses, de ajudar o próximo, de colher flores, de correr na praia, de parar de pensar definitivamente no definitivo.

Vontade de encher meus amigos de presentes que eu mesma teria feito, de abraçar meus familiares e ficar feliz de verdade com isso, de reencontrar amigos e contar a vida, saber das últimas comendo bolo de ovos na mesa da cozinha no meio da tarde.

Vontade de aproveitar todos que me cercam, de fazer churrascos nos fins de semana, de estudar pesado, de dormir à noite, comer cenoura, cuidar de mim.

E essa vontade primeira, enorme, gigantesca, muito muito grande, e digo mais, infinita, de pegar um avião, conhecer pessoas, jogar basquete, deitar num gramado lindo e olhar as estrelas durante horas seguidas.

É. Será um bom ano.


:: Maris :: 4:02 AM ::


Terça-feira, Dezembro 07, 2004



O ménage a trois


O ménage à Maroca, aquela com quem passei momentos maravilhosos. Muita farra,
longas conversas, brigas, e loucuras que jamais se repetiram. Aquela que não
gostava de ir pra aula, mas sempre tirava as melhores notas. Aquela que
vivia pra noite e me xingava por não querer ir. Aquela que sempre estava por
perto e expressando todos os seus sentimentos. Aquela com cara de antipática
que consegue encantar todo mundo!

O ménage a Mariana aquela que se distanciou e mesmo assim continuou fazendo
parte da minha vida, passando sua alegria, mesmo que só na lembrança. Aquela
que passa dias dormindo e noites em vigília. Aquela que eu não entendia, não
aceitava, não acreditava, e mesmo assim me fez entender a diferença.

O ménage a Mariana Monteiro aquela que aprendeu a viver só. Aquela que virou
séria, nerd e outras coisas do gênero. Aquela que vive com ''ar grave'', mesmo
quando estar rindo. Fala muito e escuta mais ainda. Tudo está no livro, e
sempre diz: ''Você precisa ler''. Aquela que ama o mundo virtual e as imagens
na tela. Aquela que tem a sensibilidade necessária pra escrever e passar o
complexo como simples.
Aquela que mudou, transformou e aprendeu a ser sempre Maroca, Mariana e
Mariana Monteiro.

Espero poder sempre estar por perto, mesmo que pelo meio virtual. Espero
poder ter outros momentos maravilhosos, outras loucuras tão quanto, rir e
chorar com a mesma simplicidade.

Não podia deixar de comentar da Mariana que me vê do jeito que eu queria me
ver! Que me faz acreditar que eu posso, mesmo sem saber.

Homenagem a você! Dessa pessoa que TE AMA.

Clara Marilia



:: Maris :: 5:40 PM ::


Quinta-feira, Dezembro 02, 2004




Luzes e musiquinhas por toda parte novamente. Meu corpo estático. Sem conseguir refletir por muito tempo, fixar o pensamento em um objeto qualquer, nem conseguir resolver conscientemente qualquer questão. Como odeio esta época do ano. Me faz lembrar tempos felizes e estômago empanturrado de peru e chocolates. Me faz querer prometer progressos, sorrisos e uma auto-satisfação até o carnaval. Quando na verdade estou a um passo de desistir de tudo. Continuar pateticamente sentada a conferir horas e rugas que estão por vir. Alguns me sorriem e eu apenas observo. Nunca me interesso pelas coisas que interessam a toda gente. Sou um anexo da sociedade. Há em mim dois pólos opostos que alternadamente se manifestam. Sou, por vezes, dura por não querer deixar o coração falar. Em certas ocasiões tudo me pesa, todos me incomodam, e fico dias inteiros deitada sem fazer coisa alguma. Assisto aos primeiros raios do dia e logo escurece sem que eu tenha feito nada para que isso acontecesse. Estou taciturnamente feliz. Fria, insensível e derretida pelos sorrisos e afetos que me cabem. A esperança me vale uma dor. Duas décadas parece ser o suficiente.



:: Maris :: 2:55 PM ::


Segunda-feira, Novembro 22, 2004



Então. É hoje. Sei que ando pensando nisso há uns 4 meses e sei que queria que esses 4 meses passassem voando e, de fato, passaram mesmo. É hoje e eu não tenho a mínima idéia de como agir, como sorrir, o que falar, o que vestir, o que falar, o que vestir, o que fazer para o tempo parar e me deixar respirar. Acho que nunca fiquei nervosa em toda minha vida. Assim, desse jeito? Não, meu senhor. Achava que uma tremedeira aqui e ali era o cúmulo do extremo realmente absurdo do nervosismo. E agora?

Posso sentir o coração na garganta.

É hoje e não posso fazer mais nada além de me sentir feliz. E nervosa. Assim, muito nervosa, entende? Sei lá não sei se é medo. Ok, é medo. Tenho medo, cara. Tenho medo até de peixe. Como um acontecimento impressionantemente fantástico como este não me colocaria medo?

É hoje. É hoje. É hoje.

Vamos lá. Qualquer roupa. Qualquer sorriso. Sei que a minha cara vai ser de uma completa idiota mesmo. Acho que estou com vontade de chorar. Acho que estou com vontade de sair correndo antes. Mas, vamos lá. Pular!

Eu dirijo bêbada. Mas nervosa não. Meu coração na garganta. Céus. Alguém me ajude. Minhas mãos tremem. Minhas mãos não tremem. Respirando com a cabeça no volante. É só pular. Está bem, vou dirigindo bêbada, digo, nervosa. Nervosa. Isso é bem pior. Ok, descer do carro, ir andando calmamente, calmamente, calmamente até o portão de desembarque. Meus olhos. Posso ouvir meus meus olhos!!! Piscar meu coração. Meu estômago também. Chora.

Ali está. O portão. Pessoas saindo. Meditando. Tremedeira. Meditando. Eu não sei meditar. Tremedeira. Vou desmaiar. Alguém me ajude. Ok, agora não consigo sair do canto. Calma... daqui a pouco tudo isso terá passado. Dias terão passado. Anos terão passado. É apenas uma experiência realmente impressionantemente inimaginável e fantástica e incrível e com o máximo do extremo de nervosismo que meu corpo humano é capaz de agüentar. Aiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiaiai. É ele!!!

Não... não é. Não é? Não. É não. Será que ele não veio? Caramba. Estou dormente. Ele não veio? Se perdeu na escala? Ele não veio. Vou morrer, vou morrer agora. É, vou morrer. Nossa, ele não veio. Ele não... veio!!!

Está ali. Rindo. Vindo pra cá. Rindo, lindo, rindo. Vindo.

Sorria, menina, não, não, não essa cara não. Vamos lá, você ensaiou no espelho. Ai. Esse sorriso não!! Como é patética. Vou falar o quê? Vai falar o quê? Vou falar o quê? É agora. É agora. Pular. TUN DUN TUN DUN TUN DUN. Está vindo. Nossa-mãezinha-do-céu-meu-santo-cristo-de-jesus-do-senhor-abençoado-de-cristo-da-mãezinha-do-céu-do-santo-de-meu-deus. Este momento está durando minha vida toda. Está vindo. Como num sonho. Não consigo falar. Não consigo andar. Não consigo ao menos olhar para o lado e disfarçar meu nervosismo latente.

É um sonho...
Só pode ser um sonho.
- Oi.



:: Maris :: 6:44 AM ::


Terça-feira, Novembro 16, 2004



Imagine você que fui a um show de Paulinho Moska e tudo aconteceu para tudo estar acontecendo. Preguiça, risadas insanas, chororôs insanos, conversas intermináveis, o som do teclado o tempo inteiro, cuscuz salgado, malandragem e nenhuma vontade de deixar este reino. Nenhuma vontade. Quando penso nesse desespero é quando mais me impressiono com o sorriso de Sandra. Sandra que não pára de falar um minuto. E que ri de tudo que você fala. Enfim, finalmente, já não era sem tempo de falar das meninas que moram comigo. Aê jacutinganuê. Elayny não dorme hoje. Com dois y sim, dona Margarida. Elayny que é uma antípoda. Doida e tímida. Também não pára de falar um minuto. No msn. Ah, essas meninas. Elas acham as minhas coisas o máximo. Me chamam de Mariosa, porque é o nome de uma velhinha velhinha velhinha que nos vende cerveja. De Buscapé, porque adoram tirar fotos. De Mariana, quando meu pai liga. Não sei se elas sabem que todos os elogios e carinhos e afetos e abraços estão guardados para sempre em mim. Olha, que brega. O foda é que é verdade. Logo eu que tenho mania de odiar e querer matar quase todo mundo do mundo. Elas vêm e me atacam de surpresas. Como um bilhete escrito num guardanapo guardado. Como um acorde de violão ensinado. O que eu mais gosto em tudo é que não existem motivos, mas as piadas. Não há nada que não renda um papo caloroso e infantil até o sono nos derrubar e Sandra se mandar no mundo. Cada uma com suas características. Todas completamente diferentes. Eu completamente diferente, adorando e convivendo com minhas dúvidas. Mas adorando. De certo, uma fase e pessoas que nunca vou esquecer.



:: Maris :: 10:19 AM ::


Sexta-feira, Novembro 12, 2004



Não perdi uma aposta e estou consideravelmente chateada com isso. Perdi pra
ele
. É. Foi aqui que tudo começou...

Tem gente que a gente conhece há um tempão e nada. E tem gente que a gente mal conheceu e sente como se fosse há um tempão. Você sabe não é? Os dias prosseguem deixando-me pra trás. Eu que pensava ser tanta coisa. O que eu sou? Bem, isso já é demais. A única verdade é que eu o vivo. A única. Pode acreditar.

Ele
que me ensina tanta coisa. Que me faz rir. Que me comprime o coração. Que me acorda e não me deixa mais dormir. Ele que inventa um mundo só nosso. Que tem expressões fantásticas. Que tem o cabelo mais perfeito que alguém poderia ter no mundo. Os olhos mais lindos do mundo. O jeito mais lindo do mundo. Que me faz ser a pessoa mais melosa do mundo.

Ele que tem a audácia de me subornar. De fazer drama. E algumas chantagens. Ele que me faz esquecer minha cunhada. Que espanta meus demônios. Que sai e me deixa com saudade. Que me faz escrever aqui.

Ele que vale a pena todo mundo conhecer. Que é extremamente educado. Interessante. Inteligente. Que vai me passar todas as músicas do Lodger, porque só tenho quatro. Ele que aprendeu a gostar de Paulinho Moska. Que me fez gostar de Blur. Que me agrada sempre. Que perdoa meus defeitos. Ele que tenho vontade de comentar tudo que vejo. Que me escuta. Que me entende. Que é super parecido comigo.

Ele
que ganhou a aposta.



:: Maris :: 4:06 PM ::


Quarta-feira, Novembro 03, 2004



Tem momentos em que preciso dormir
Que preciso beber
Que preciso chorar
Que preciso de atenção
Que preciso ficar calada
Que preciso ficar só

Tem momentos que preciso curar uma facada no estômago
Que não acredito em elogios
Que não acredito em mentiras sinceras
Que não acredito em mais nada disso

Tem momentos engraçados
Tem momentos normais
Tem momentos que me escondem
Tem momentos que me escondo

Tem momentos que choro

Tem momentos que amo

E só.


:: Maris :: 3:42 AM ::


Sexta-feira, Outubro 29, 2004



Em algum lugar, perto dali, ele escutava. Escutava, mas não ouvia.

- Olá?!? Tem alguém aí?!? - diziam os que acompanhavam seu corpo.

Enquanto isso ele pensava. O que é felicidade? Um diploma na parede e dinheiro no bolso. Ter sempre um cigarro extra em mãos. Dormir no sofá da sala assistindo a ridícula programação da t.v. aberta num sábado à noite. Isso, ele sabia, não era felicidade.

Sentia desejos, impulsos. Mas, será que comprar um carro esporte, namorar alguém 30 anos mais novo, enfrentar multidões em shoppings e boates, será que é isso a felicidade? Render-se à óbvia crise de meia-idade? Isso é felicidade?

''Duvido'', concluía ele, embora soubesse que era esse o caminho que tomava.

Pascal dizia que os sonhos devem ser inatingíveis. Irreais. Porque uma vez atingidos, não ficamos satisfeitos. Ou seja, a fantasia de ter algo é melhor do que, de fato, ter. Querer é melhor do que ter.

Mas, e se você já conquistou tudo o que queria? E se, de alguma forma, as Nornas, fiandeiras do destino, fizessem com que você conseguisse um bom e estável emprego, três filhos saudáveis (e sãos) e uma esposa retirada de um comercial de barbeador? O que fazer quando tudo isso já foi conquistado e não restarem desafios?

- Alô?!? Tem alguém aí?!?

De súbito, ele está de volta, fazendo a barba ante o espelho, se preparando para beijar sua esposa, levar seus filhos para a escola e partir para o trabalho. A vida que pediu a Deus. Sim, senhor... a vida que pediu a Deus.

:: Jayme :: 3:32 AM ::


Sábado, Outubro 23, 2004



-Por que você não ligou?

- Não sabia que você estava falando sério... queria mesmo que eu ligasse?

- Queria...

E ali ele percebeu que já não tinha mais volta. Percebeu a magnitude de tudo o que estava para acontecer. Percebeu que após um esforço hercúleo, ele finalmente achara o que procurava.

Foi como encontrar um mapa após ter se perdido há séculos. Um mapa onde tudo o que devia ser feito, todos seus passos, estavam descritos.

E, assim que uma enxurrada de sentimentos diferentes se abateu sobre ele, percebeu que três sentimentos, acima dos outros, o guiavam. Feito faróis na escuridão: alívio, angústia e egoísmo.

Alívio porque, de fato, foi o que o ensinaram a buscar. Desde seus curtos anos como um infante, era o que diziam que deveria buscar pelo resto de sua vida. E, como todas as coisas que haviam dito a ele durante sua infância, ele já havia descartado isso há tempos. Como se fosse uma lenda, algo inexistente.

Angústia porque mal podia acreditar que sua vez, na longa fila dos abençoados, finalmente tinha chego. E ele sequer sabia que tinha entrado na fila...

Egoísmo porque queria tudo para si. Não queria dividi-la com ninguém, não queria doá-la a ninguém. Queria devorá-la por inteiro, sem deixar migalhas. O que qualquer alma solitária haveria de fazer.

Assim, se entregou a encontros sem hora marcada, conversas diárias com 7 horas de duração, segredos sobre ela e, algumas vezes, quem sabe, sobre ele também.

E o três sentimentos iniciais cresceram, fundiram-se e tornaram-se um só. Um único sentimento que controlava seus pensamentos, o frio no estômago e a tremedeira nas pernas. Tudo de uma vez. E a ele deu um nome nunca antes dito. Um dos infinitos sinônimos para ''amor''.

:: Jayme :: 1:38 AM ::


Quarta-feira, Outubro 20, 2004



Às vezes me sufoca.
É assim de sufocar mesmo.
E eu tento respirar fundo e soltaaaaaar, mas não adianta não.
Aperta, sabe? Depois eu fico me perguntando se isso é de verdade.
O que não existe de fato existe.
Existe porque sinto.
Às vezes digo que não, não, é só coisa da minha cabeça.
Até acho engraçado divertido e interessante.
Só que não consigo querer pensar em mais nada.
Paro sempre pra pensar porque penso demais.
Paro tudo, pararia o mundo se fosse possível.
Pensar é o que me resta.
Às vezes só dói um pouco.
Só porque quero demais. Eu quero muito. Todo dia.
É tão perfeito. E lindo. E me faz feliz.
Não existe de fato e me faz feliz.
Não, eu também não entendo.
Apenas respiro bem fundo e solto...

And wherever you've gone and wherever we might go,
It don't seem fair, Today just disappeared
Your light reflected now, Reflected from afar
We were but stones, Your light made us stars



:: Maris :: 2:59 AM ::


Sexta-feira, Outubro 15, 2004



E tudo que faço...

Olhar na janela e ver a vida passar, escorrendo entre meus dedos como a água do chuveiro.

Do chuveiro que tomo banho, pra lavar o corpo e porque não as mágoas.

E depois enxugar com cuidado, pra não ferir mais ainda.

Que é pra não aumentar a dor.

Dor que não vai embora, apenas se afasta pra depois voltar tão forte quanto antes.

"Antes", de onde vem a dor pra chorar "depois".

"Chorar": água escorrendo que nem a do chuveiro.

Análoga a água da vida.

E tudo que preciso...!?


.
.
.



Achar uma torneira!!!


:: Debs :: 12:03 AM ::


Terça-feira, Outubro 12, 2004



- Como uma T.V.

- Hã?

- Nosso relacionamento. É como uma t.v. a cores. Quando passamos do preto e branco para o colorido percebemos o que outrora deixamos passar despercebido. Tudo fica colorido. As pessoas, as emoções, todas coloridas. E isso, em contraste com o mundo apático e desfigurado do preto e branco, é maravilhoso.

- Onde você quer chegar?

- Bem, após enxergarmos imagens coloridas e tudo o que elas nos proporcionam, fica incrivelmente difícil voltar a ver em preto e branco. Pra não dizer impossível...

- Você me comparou com uma t.v.?

- Ahm... é...

- Vá se catar...

- ...

- Ah, e obrigada...

:: Jayme :: 5:38 AM ::


Domingo, Outubro 03, 2004



Os dias foram tão bem aproveitados que eles viviam um calendário diferente.
Não havia ao menos distinção de idade.
Distinção de sentimentos óbvios.
Ou distinção de coisa qualquer.
Na cabeça deles, eram só eles.
E o mundo é algo muito longe do restaurante em que freqüentavam, no fim do universo. Não entendiam tempo, distância, diferenças.
Apenas viviam a perfeição.
Riam como duas crianças se descobrindo.
Descobrindo o passado, medos, manias, interesses.
Olhando fundo nas retinas como em um zoom bizarro.
Uma combinação impossível.
Ela admitiu a ficção. Ele começou a ser direto.
Achavam que eram almas gêmeas e viviam suas diferenças deliciosamente.

Viveram uma vida inteira em apenas um mês.



:: Maris :: 7:34 PM ::


Quarta-feira, Setembro 29, 2004



Acho que me apaixonei. E faz mais de 48h.
E não é uma paixão fácil. Nem óbvia. Nem nada.
É tudo.
Sinto muitas coisas ao mesmo tempo.
Agonia por meu pai. Alegria no meu novo reino.
Saudades loucas. Vontades desconcertantes.
E essa paixão que cobre tudo. Agora.

:: Maris :: 2:56 AM ::


Sábado, Setembro 25, 2004



Gelatina de cachaça

Ingredientes:


4 pacotes de gelatina
2 copos de água
1 copo de cachaça
1 kg de açúcar

Modo de preparo:
Dissolver a gelatina na água, acrescentar o açúcar e depois a cachaça. Deixar ferver e colocar num tabuleiro ou forma de gelo. No outro dia cortar e passar no açúcar refinado.


:: Maris :: 8:04 PM ::


Terça-feira, Setembro 21, 2004



Seria o surgimento d um novo tipo d linggem? Ou apenas + 1 tipo d açassinato da noça língua portuguesa? Como si já não bastace os insultos à gramática praticados nas escolas, faculdades, etecetera, a Internet pode estar virando +1 meio para fazer com que Machado de Assis, Jorge Amado, Drummond, entre outros, revirem em suas tumbas.

Surge + um novo "vírus" da língua portuguesa, tão letal quanto o gerundismo, q eh a linguagem usada nos chats, salas de bate-papo, MSN, yakult (leia-se orkut), icq, enfim, programas d trocas d mensagens ou conversação em tempo real. Basicamente, o primeiro sintoma eh estar engolindo o máximo de vogais possível, um lugar onde as consoantes reinam total e absolutamente, mais tb tem outro sintoma q, sinceramente, naum sei como vou estar explicando pra vcs, + vamos lá: seria o acréscimo d letras em algumas palavras, como por ex., naum, eh, entaum, etecetera etecetera e tal. Além disso, tem tb a inclusão de alguns sinais p/ expressar sentimentos. A esplicassão q eu taria tendo p isso, seria a nessecidade ou desejo de si comunicar + rápidu, ou ainda a praticidade, mais minha teoria naum se aplica p exemplo ao q concerne ao sintoma nº 2, de acrescentar algumas letras em certas palavras. Daí, qnd penso no sintoma nº 2, minha esplicassão eh totalmente contraditória, q seria a preguissa d digitar os acentos gráficos, mais aí ela cai por terra, pq a inclusão de outra letra pra compençar o não uso do acento dá o mesmo "trabalho" de usá-lo. Mais peraí, talveis seria a preguissa de pensar qual acento usar???

Bom, o q se sabe eh q esse vírus eh muinto perigoso, certo q naum tem a epidemicidade do gerundismo, + eh precizo estar tendo cuidado, pq vc pd estar usando essa linguagem em outras situações e pode nem estar percebendo, q nem o tal do gerundismo. Mais, o problema d tudo naum eh nem esse, td bem vc estar usando essa linguagem (por favor, que fique claro aqui, SÓ A LINGUAGEM) pra estar conversando pela internet, muintos dizem q eh até uma evolução da mesma e tals, se vc tiver 1 organismo forte e o máximo de bom senso, dá pra estar aturando apesar dos pesares. Já o gerundismo, vc pode estar tirando onda c a cara de quem fala e estar tentando corrigí-las, e se puder, tb estar dando aqueles foras fenomenais. Si fossem só esses os prms td era uma maravilha, o problema mesmo eh outro vírus, q naum tem nem esperança de cura (infelizmente na maioria dos casos), que eh o vírus da BURRICE. O pior d td eh q o vírus eh diagnosticado por poucos (leia-se raríssimos, extraordinários, ínfimos, escassos, limitadíssimos) médicos e qnd estes alertam os pacientes, naum são acreditados e muintas vezes os pacientes acham que é intriga. Esse vírus sim, é o mais grave d todos, pq naum se limita só ao corpo do hospedeiro, ele tb fere os olhos, o cérebro e o coração de quem vê, e em muintos casos, dá até náusea, enjôos e vômitos.






:: Debs :: 5:05 PM ::


Terça-feira, Setembro 14, 2004



Penso em meus amigos tão longe, esquecidos, vivendo suas histórias e contando piadas que, de certo, não entenderei.
Ainda estou vagando sem saber qual é o meu lugar. Durmo pouco e vivo muito. Estou rodeada de pessoas prestativas, engraçadas e estranhas que não conheço e não confio. Não me faz muita falta ter quem contar segredos. Meus mais secretos segredos eu escondo de mim mesma, inclusive.
Meu pai, que tive tanto receio, mais uma vez levou meu queixo ao chão. Suas palavras de apoio esmagam meu peito de saudade.
Quando me sinto só e perdida, penso nos poucos que me são importantes. Mesmo os virtuais.
Estou feliz. É tudo tão diferente o tempo inteiro.
Estou preocupada. Quero ver todo mundo bem.




:: Maris :: 12:58 PM ::


Quarta-feira, Setembro 08, 2004



Eu sabia que o dia ia chegar. Mas não tão rápido.

Alguns minutos atrás:

- Alô.
- Até que enfim, hein!
- Oi, pai.
(silêncio constrangedor)
- Tudo bem?
- Tudo.(desliga logo desliga logo).
- Liguei ontem, você não atendeu.
- Foi?
- Deixei mensagem. Mesmo assim, (voz de velório) feliz aniversário atrasado.
- Tá.
(Silêncio constrangedor)
- E aí, vai voltar dia 10? Dia 15 estou em casa viu?
- ....
- Ah, não! De jeito nenhum!Vocêjáficouaímuitotempofalouqueiavoltaremjulhoagosto
eagoranadaaindaeunãoaguentomaisvocêvaivoltarsimeagenteprecisaterumaconversa
vocêestavivendoumavidaquenãoésuanumacidadequenãoésuavousaircomvocêeconv
ersardireitoeutôesgotadotrabalhandoaquidiretonãodámaisfiqueitãofelizquevocêdisse
queiatrabalharnafábricaeagoraquerficarvocêsópodeestarmeescondendoalgumacoisa
blablablablablablablablablablalalblalaaaaaaa...
(longa pausa)
- Não vou voltar não.
- Vai sim.
- Vou não.
- Vai sim.
- Vou não.
- Vai sim.
- Vou não.
- Vai sim.
- Vou não (vou não e vou não).
- Dia 15 esteja em casa.
- Ploft.

Ó céus.


:: Maris :: 10:49 PM ::


Terça-feira, Setembro 07, 2004



Do tipo que passou 400 anos com 17 anos. Do tipo que não consegue dormir por causa dos grilos. Que lembra do barulho da amiga andando pelo apartamento (tic tic tic). Do tipo que lembra o que você nem imagina, de cada palavra, cada gesto. Do tipo que não leva desaforo pra casa. Que quando é pra dizer um, faz entrega em domicílio. Do tipo que sempre paga king-kongs homéricos em qualquer lugar que esteja, seja quebrar uma sandália no meio do shopping, andar com a garrafa de água derramando dentro da bolsa, levar o maior quedaço ou romper a alça da bolsa no meio de um show (claro que esses são apenas os sagüis). Do tipo que dá jeito em tudo, de uma desculpa até amarrar a alça da bolsa com uma liga de cabelo. Que a morte não duvide dela. Do tipo que é teimosa , pior que uma mula empacada. Do tipo apaixonantemente chata. Do tipo que fala mais que uma matraca. Que perde a voz por falar demais. Do tipo que dá dó de desligar o telefone. Que muitas vezes nem atende o telefone. Do tipo que entrega o coração até na mão de quem não pode. Do tipo que é musa inspiradora. Do tipo que depois dos primeiros minutos de conversa dá vontade de levar pra casa. Do tipo que num dia odeia uma banda, mas na outra semana é a fã número 1. Do tipo que ainda nem sabe o que fazer da vida, mas sabe muito bem o que não quer. Do tipo que odeia vodka, mas adora cartas non sense. Que não dá pra ter raiva durante 1 minuto inteiro. Do tipo que é abençoada pelo pai que tem. Que é desgraçada pela cunhada que possui. Do tipo que adora beber em posto. Do tipo que topa qualquer aventura. Do tipo que é meu todynho. Do tipo que escreve divinamente bem. Que me pergunta com uma cara de pau se o texto tá bom. Do tipo que ri de desgraça. Que eu converso com um silêncio. Que tem um milhão de segundos cadernos. Do tipo que adora amarelo e laranja. Que não é nem um pouquinho organizada. Do tipo que quando chega tem um dom de colocar tudo abaixo. Que basta apontar o dedo e deixar tudo bagunçado. Que odeia cachorro e adora gato. Do tipo que tem um piercing na língua mas tem medo de fazer uma tatoo. Que sempre acha alguém parecido com outro. Do tipo que ama iaiá do LH. Que quando lembra de algo é porque leu num livro. Que sempre me diz pra eu ler os livros. Do tipo que não gosta das pernas por serem grossas demais. Que odeia o nariz lindo que tem. Que tá quase careca (desculpe, não resisti). Do tipo que faz a proeza de queimar um miojo. Que sofre de uma insônia terrível. Que passa 3 dias acordada pra dormir 1. Do tipo que adora ir pro cinema sozinha. Que bebe, come sushi, lê e escreve sozinha no meio da praça de alimentação. Do tipo que está encantada com o yakult (leia-se orkut). Do tipo que odeia piequice mas assisti novela. Que chora com propaganda de tv e com um email fuderoso, nem se fala. Que abomina química, mas ama biologia. Do tipo que é um exemplo exímio da hipermodernidade, segundo Lipovetsky. Que filosofa antes mesmo de começar a beber. Que só bebe de canudinho. Que pede tudo na farmácia, menos remédio. Do tipo que ama farofa. Que faz(ia) churrascos sem carne, só pra ter um motivo juntar a galera. Do tipo que tem medo, fobia, aversão, terror, pavor, receio, repugnância, ódio, repulsa a peixe, mesmo que seja do tamanho de um girino. Do tipo que diz ser minha namorada pros caras chatos na balada e ainda fica me cercando. Que não tolera burrice. Que merece reis e não plebeus. Que consegue arranhar todos os cds, mesmo aqueles que ainda nem tirou da caixa. Que não é o Jô, mas já teve seu sexteto. Do tipo que me atura quando tô com tpm. Que ainda consegue me fazer rir. Que morre de medo de espírito. Do tipo que eu já morri de tantas saudades. Que todo mundo pensa que é minha namorada ou coisa que o valha. Do tipo que eu já tenho a permissão do pai pra casar. Do tipo que eu cresci junta. Que já fui cunhada. Que sou irmã, amiga (mãe não, por favor!). Do tipo que é meu esquema. Do tipo que eu sei que ficou com raiva de mim na sexta, por não ter ido. Que não me atendeu no sábado. Que depois de falar um tempo comigo no msn esqueceu a bronca. Do tipo que eu nem preciso desejar parabéns e toda a felicidade do mundo. Que eu nem preciso dizer que eu queria estar aí pra tomar todas. Do tipo que eu nem preciso dizer que é o meu tipo preferido. Do tipo que faz aniversário no dia 7 de setembro. Que tem um monte de homens desfilando pra ela por todo o Brasil. Do tipo que 937 bilhões de anos depois, finalmente, completa 20 anos. Do tipo que eu não preciso dizer nada disso, 20 anos. Do tipo que já sabe tudo o que eu penso, 20 anos. Do tipo, 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos. 20 anos.



:: Debs :: 11:42 AM ::


Segunda-feira, Setembro 06, 2004




Ex-coristas

- É a menopausa, só pode ser.
- Mas tu me empresta um cheque, Jéssica? Eu preciso fazer o teste.
- Deixa de ser louca, Bruna. Uma velha como tu, grávida. Vai criar vergonha na cara.
- 52 e meio, cinco meses mais nova que tu.
- E com quem foi? E sem camisinha, Bruna!
- Jura que não conta pra ninguém? A Bia não pode saber, de jeito nenhum! Nem a Judith! Moralistas, elas e os chuchus na cerca.
- Ai ai ai, Bruna. O que tu tá aprontando...
- Tá bom, Jéssica. Tá bom. Mas não vem querer me encher de culpas. Tu pediu, vai levar. É com o sobrinho do Otávio, aquele meu vizinho de porta, sabe? Ele é advogado, e nos encontramos há umas duas semanas descendo a escada do prédio. Ele tava todo perfumado, precisava ver. Quando abriu a porta da rua ele perguntou onde eu ia e antes de eu responder ele me ofereceu uma carona. Aí eu não podia dizer que eu ia jogar buraco na tua casa, né Jéssica. Eu disse que eu ia pra PUC.
- Pra PUC? Fazer o quê na PUC?
- Eu disse que eu faço Direito. Sei lá, eram umas seis da tarde, foi a coisa que me veio na cabeça e eu tive que dizer. Imagina, buraco na tua casa, Jéssica. É o fim. Nem me lembrava mais como atiçar um homem.
- Atiçar, Bruna? Ele acha que tu é uma velha rica e quer se aproveitar! Uma passa de uva!
- Deixa eu contar, se não não conto mais. Ele falou que tava indo para aqueles lados e eu não pude negar. Tinha que ver o carrão preto dele, acho que era um Chevrolet, desses enormes, sabe? Ele abriu a porta e tudo. Quando girou a chave, me disse que ia passar na casa de um amigo antes, se eu não me importava. Tudo bem, eu disse, mas ele disse isso e colocou a mão na minha perna e apertou de uma maneira carinhosa, só tirava a mão dali pra passar a marcha. Ele foi tão carinhoso.
- E ele te deixou na PUC, e aí?
- Que PUC o quê. Motel, Jéssica. Com cascata, peixinhos e espelhos, um luxo!
- Não pode ser verdade. E o amigo?
- Foi junto.
- Eu não acredito! Os dois? Só pode estar doida pra fazer uma coisa dessas agora.
- Deixa disso, Jéssica. Velha é tu. Quadrada. Mas isso com os dois foi naquele dia, só. Agora é um de cada vez. Não deu muito certo, eles não têm muita intimidade, enquanto eu fazia com um, o outro ficava olhando, foi muito estranho pra mim. Queria os dois ao mesmo tempo.
- Eu ainda não acredito! E agora, como é que é?
- Ele passa todas as terças lá na casa do tio dele, aí a gente vai prum motel, sempre um diferente, e depois ele me deixa na porta da PUC e pego um táxi e vou pra casa. Ou pra tua, jogar buraco.
- E o amigo dele?
- Nas quintas. Ai, ele é lindo! É administrador de um escritório contábil na Carlos Gomes. Dos grandes.
- E vem pedir um cheque pra mim, pobre velha.


Este texto é do Repórter piNto. Mas foi abandonado.
Agora, a alma por trás dele escreve aqui.




:: Maris
:: 2:22 AM ::


Quarta-feira, Setembro 01, 2004



''Pai, tenho uma coisa pra contar...''
''Você está grávida!''
''Não, pai.''
''O que foi, filha? Sofreu um acidente?''
''Não, pai.''
''Você está me deixando preocupado.''
''Não é nada demais, não. É que...''
''...''
''É que... eu.......eu... eu vou ficar!''
''Ploft''
''Alô? Pai?''


''Sabe aquele curso que eu vim fazer?''
''Sei.''
''Não fiz''
''E o que você aprendeu com isso?''
''Com isso, nada. Mas aprendi muitas coisas.''
''Que bom. Pelo menos amadureceu.''
''Er....''
''Me diz, o que você aprendeu de mais importante?''
''De mais importante? Eu nem sei se é importante assim.''
''Me diz pelo menos 3 coisas que você aprendeu, que eu já fico feliz.''
''Bom, eu aprendi que a vida é engraçada. Aprendi a sorrir para as crianças. E aprendi que você sempre esteve certo.''
''Mesmo? que bom! O que te levou a pensar assim?''
''Bem... primeiro eu fumei um e comecei a rir de coisas banais. Depois eu bebi e até as crianças parecem simpáticas. E você tem razão quando me pede pra te buscar uma cerveja. Buscar cerveja é um saco.''
''Ploft!''
''Alô? Pai?''

''Pai, não posso voltar.''
''Por quê?''
''Estou presa.''
''Minha filha. Livre-se de coisas materiais. Seu lugar é aqui.''
''Não posso, estou presa.''
''Oh! Filha! Preciso de você.''
''Eu também preciso de você.''
''Então, volta!''
''Não posso, estou presa. Presa!''
''Como assim, presa?''
''Na cadeia, pai.''
''Ploft!''
''Alô, pai?''

''Decidi. Vou fazer vestibular de novo''
''Que bom! Pra quê?''
''Acho que você não vai gostar.''
''Você sabe que eu não ligo pra essas coisas.''
''Não sei ainda, acho que filosofia.''
''Ploft!''
''Alô, pai?''

Pai?



:: Maris :: 6:29 PM ::


Domingo, Agosto 29, 2004



Sábado. Cinco horas da tarde. Dez cervejas. Duzentos cigarros. Angústia dissolvida. Vamos sair. Agora!
Duas horas e meia completamente frustradas vendo Olga. Você gostou? Eu não. Detestei. Detestei pesado. Clara Marilia também detestou. E eu mais ainda porque ela insistia em sair antes. E não tinha cerveja.

Nove horas. Recife antigo. Que lindo aqui, né? Vamos andar, vamos voltar, vamos sentar e beber. E beber. E beber. E beber. E beber. Oi amigos, vamos beber e beber.
Marilia, com seu impulso turista, comprando tudo que via pela frente. Inclusive amendoins amanteigados deliciosos. Três taças com capacidade para um 1 litro cada e um massageador de cabeça. Também ficou frustrada porque as fotos não sairiam legal. Turista é foda.

''Vocês estão no lugar errado''. Tudo bem. Espera só meia hora enquanto Marilia enrola o mágico - que cobrava 20 reais para ensinar o truque fantástico dos dados. Era fantástico mesmo. Sensacional. Incrível. E Marilia fez ele nos ensinar por uma taça. A taça custou 2,50.

Uma hora da manhã. Dez long necks depois. Setenta e três cigarros. Duas ruas atrás daquela burguesa que estávamos. Burburinho. Maconha na mesa do bar. Na mesa do bar, dá pra acreditar? O bar vendia seda, inclusive.

Depois a gente descobriu que tinham guardas na esquina.
''Eles não prendem?''
''Prendem.''

Esse papo já tá qualquer coisa
Você já tá pra lá de Marrakesh
Mexe qualquer coisa dentro, doida
Já qualquer coisa doida
Dentro mexe



:: Maris :: 3:08 PM ::


Sábado, Agosto 28, 2004



Hoje eu não acordei. Hoje eu não vou dormir.
Nada me convence quando me sinto cansada. Para quê a gente tem um corpo, afinal? Deveríamos saber dosá-lo sem grandes complicações.

''Se fosse pra ler filosofia, eu leria um livro''. Como viver sem uma pessoa dessa? Desde que Clara Marilia chegou, não paramos de falar. Não paramos de falar um segundo. Não paramos de falar mesmo.

Agora, minhas cordas vocais doem para qualquer sussurro. E nós não paramos de falar. ''Você vai parar de falar?'' Por que meu corpo não me obedece? Ela me faz cócegas, pula em cima de mim, me faz cócegas, dá cambalhotas tentando me divertir. Sai pela casa procurando, impacientemente, por alguma coisa. ''Aqui é tudo tão colorido. Olha só aquele caderno!''. Espalha latas vazias em qualquer lugar, porque acha que fica bonito. Me faz cócegas e eu só penso em quanto estou cansada e quero dormir. E como odeio cócegas.

''Marilia, quando vamos nos tornar adultas?''
''Nunca mais repita isso, entendeu? Nunca mais!''

Ignoro completamente a minha falta de juventude. Prefiro dormir mais um pouco. Mais cinco minutinhos. O sono só veio agora, lila. Tá foda. Estou só olhando pra dentro. Só descansando a vis.... zzzz....

Hoje vai ser diferente. Prometo, porque não acredito em mim. É a mentira mais sincera que te falei. Prometo, prometo, prometo que hoje vai ser diferente.

''Se eu cismar, eu fico uma semana. Fico mesmo. Não vamos falar de problemas. Toma aqui seu café da manhã'' (uma lata de skol).

Menos um dia de você aqui. Você está dormindo no quarto e posso te ver. Estou indo aí. E sei que você vai acordar.



:: Maris :: 6:49 AM ::


Quarta-feira, Agosto 25, 2004



Marilia, meu amor!
Vou comprar cerveja e tentar arrumar a casa para te receber.
Vê se traz um pouco de ralf pra que seca só fique a minha boca.
E nem vem que eu não vou deixar você beijar meu piercing.
Hahaha.


Mais tarde:
Não arrumei a casa, nem comprei cerveja.
Sem cerimônias. Sem dramas. Cem gramas.

Sound track: Mary Jo - Belle and Sebastian

Mary Jo, living alone
Drinking gin with the telly on
She wants

The night to follow day and back again
She doesn't want to sleep
Well who could blame her if she wants?
The night to follow day and back again
She doesn't want to sleep
Well who could blame her, if she sleeps?
Well who could blame her, if she sleeps?
Well who could blame her, if she's sleeping?





:: Maris :: 12:09 PM ::


Segunda-feira, Agosto 23, 2004



Oi, eu me chamo Débora. Tenho 22 anos! Que bosta né? Acabei de completar. Sim, meu aniversário é hoje. Dia 23 de agosto. E eu nem sei se meu signo é virgem ou leão. Isso é uma bosta mesmo. Alguns falam que eu sou leão-virgem. Mariana diz que eu sou de virgem porque eu sou muito, mas muito, mas muito organizada. Ela diz que isso é uma bosta. Ela que é muito, mas muito, mas muito bagunceira. Se não fosse eu pra ir de 4 em 4 meses visitar ela, eu não acharia nem a própria em meio a tanta bagunça. Que bosta, Mariana, e você não está nem aqui comigo hoje. Tudo bem, pelo menos ela não vai ficar dizendo que tem 19 anos o tempo inteiro.
Ô meu deus. 22 anos. O que eu vou fazer com isso? Que bosta. Cadê minha ferrari, meu marido e a minha maleta de trabalho? Cadê meu futuro que estava na minha cabeça de 13 anos? Por que você não disse que a vida é uma bosta, hein Deus? Escuta, porra!
Seu bosta!
Senhor, qual é? É isso que você quer? É para isso que me pôs no mundo? Eu não pedi pra nascer. Não tenho absolutamente nada a ver com isso, exceto que estou aqui, fazendo perguntas justas, qual a razão disso tudo, me diga, me dê um sinal. Você perdeu o controle? Lúcifer está de volta ao poder? Seja honesto comigo. Porque eu tenho andado perturbada. Me dê uma pista. A vida vale a pena? Tudo vai ficar bem? Não né? É tudo uma bosta mesmo. Mariana diz que esse é meu inferno astral. Inferno eterno? TPM eterna. Mal humor. Preguiça. Tédio. Ter 22 anos é uma bosta. Olha a minha vida. Que bosta que ela é. Olha isso. Olha essa cachorra babaca latindo o tempo todo. Que bosta. Olha a minha cunhada. A cara dela é mesmo uma bosta. Dá vontade de cagar em cima. Meu irmão que só quer ser o certão? Ele é um protótipo bosta. Um bosta que nem serve pra ser bosta. Minha faculdade? Aquela bosta? Faz uns 3 semestres que eu deveria ter formado. Mas olha a minha vontade de bosta pra isso. E pra quê? Pra ter um diploma? Um diploma escrito: ''Taí a bosta'' bem grandão. A vida? A vida anda não sei como. Eu não peço pra ela sair do canto. Mas olha meus dias passando. Viu aquele que eu não fiz nada? Pois é. Tava pensando em como ele foi uma bosta mesmo. Porra, que dia bosta esse. Não fiz nada. É assim que eu penso, sabia? Até quando eu penso... É. Isso mesmo. Até quando eu penso é bosta pra tudo quanto é lado. Bosta de 22 anos. Bostabostabosta. Não, não vai ter festa. Ah, sim, obrigada, é tô ficando velha, ha-ha. Tá bom. Tchau. Bosta....





:: Maris :: 12:28 AM ::


Sexta-feira, Agosto 20, 2004



Automaticamente associando idéias e elementos eu vejo que a felicidade é uma coisa linda. Linda e boba. Sabe felicidade de sair cutucando o povo na rua? Estou deliberadamente ditosa, um sorriso bocó no rosto e vendo a belezura do mundo. Que ar puro. O céu não está estrelado, mas sei que elas estão ali camufladinhas. Ah, essas estrelas. Estrelas são lindas. Quem será que inventou o desenho delas? Deve ter sido uma pessoa linda. E essas ruas esburacadas... tão poético.

De onde vem essa calma? Um efeito lisérgico de toda essa calma me consome. Tô chapada desse dia orgásmico. Nirvânico. Epifânico. Tudo junto e mais um kit de cara-bobo-alegre e risos frouxos. Até quando durar.

Até quando vai durar?

A velocidade que emociona
É a mesma que mata
O sorriso antigo
Agora é lágrima barata



Agora, que graça tem não mostrar a ninguém?



:: Maris :: 2:38 AM ::


Sábado, Agosto 14, 2004



É ou não é a coisa mais linda do mundo?
E foi eu que tirei. Debs, morra de inveja!



Estou feliz por ter meu computador de volta. Embora seja um desconhecido. Novo tudo. Tudo novo de novo. E qualquer semelhança é mera coincidência. Porque eu acabei de pensar nisso. (suspiro) Ah, essa falta do que falar...
Poderia ficar nisso: Meu computador voltou. Voltou meu computador. Meu amor.
Ou ainda: Chegou. Chegou meu computador. ÔôÔ Que calor. Meu computador.

êêêÊeê.

(Declaro oficialmente a volta das tirinhas surrupiadas do vidabesta.com. Ou não)

:: Maris :: 11:15 AM ::


Terça-feira, Agosto 10, 2004



Nem acredito que quinta-feira meu computadorzinho filha-da-puta vai estar em casa.Por enquanto, apanho do violão de uma forma que me deixa com vergonha de mim mesma. E hoje acordo com Cartola na cabeça e seria de bom (auto) proveito saber tocar.Resta-me escutar meus cd's que nem acredito nos preços baixíssimos que os comprei. É só não ter um computador e uma tv a cabo para enxergar as cores do mundo. Mesmo!

Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão, enfim...

Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não quero voltar
Para aí..





:: Maris :: 5:28 PM ::


Quarta-feira, Julho 28, 2004



Minha forma de escrever mudou e está todo mundo falando isso.
E agora eu fico pensando.
Quero escrever da chuva maravilhosa que cai lá fora, das crianças que correm deixando rastros de pipoca, de como eu agradeço por ter dinheiro para usar esta internet.
Quero falar como amo poucas pessoas, como eu amo muito essas poucas pessoas. Muito.
Como adoro cream cracker com queijo e café com leite, filme francês, e que só bebo cerveja com canudinho.
E como eu não ligo para requintes.
Como vejo graça em desgraça.
Como sou injusta e chata.

E acontece assim, quero falar que quero falar.

Mas isso é só uma coisa que eu estava pensando.



:: Maris :: 3:07 PM ::


Sexta-feira, Julho 23, 2004



Hoje o álcool assiste comigo a solidão. Está uma noite linda. Tantos prédios, tanta coisa igual e uma lua sem forma.
No meu som, músicas que me cabem perfeitamente.
Penso em você, Clara Marilia.
Seus olhos claros sempre desvendaram minhas mentiras sinceras.
Eu não minto. Eu não sou assim.
Porra, saudade.
Olha onde estou agora. Ou não estou. A vida passa e nem nos telefonamos mais. Será que já não temos tempo?
Grande reveillon aquele. Até Cássia Eller morreu. Eu fiquei maluca. E imagine você que pensava que tio dedé era meu tio dedé.
Estou ouvindo Paulinho cantar ''trampolim'' e me remete a você.
A nós, em nossa constante embriaguez.
Ficar pensando no passado é bom e dói. ''Que tipo de piscina terá embaixo desse trampolim/ que pulo que eu vou ter que dar pra não me ferir?''.
Se você estivesse aqui, estaria te falando essas coisas. Você provavelmente diria que estou bêbada.
Tudo bem.
Estou bêbada.
Agora Moska canta ''sonhos'' e eu úúúú aaaaaa quase morro de tanta saudade.
Ainda ontem você cantou ela pra mim na parada de ônibus. E eu, nem gostava tanto de você. Puta que pariu.
Coisas tantas que sequer consigo parar de pensar.
Cheiro de parede, peruana, famooosa Pium, INKM, festa fantasia, eu chorando por causa de namorado, você chorando por causa de namorado, álcool, drogas, violões, chuva no acampamento, barraca de concreto, faculdade transviada, brigas pra ir no banco da frente, e no banco de trás, xixi nas calçadas, terças-feiras benflagiadas, paisagem de ponta negra, boca na sua boca.
Eu rio muito.
Poderia ficar pensando mais. Mas está ficando muito chato. ''Mesmo que você não saiba o quanto eu te amo''. Lembrei agora que este cd foi presente seu. Mas não faz a menor diferença.
É fácil lembrar de você porque você sempre está aqui.
Apesar de nada.
Agora apesar de tudo? Como sempre não sei.
Desculpe minhas falhas.
Acredite no amor que te tenho.



:: Maris :: 3:27 PM ::


Terça-feira, Julho 20, 2004



Isso sim é o que podemos chamar de um "Bom conselho" :

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir, que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade


(Chico Buarque)





:: Debs :: 10:19 PM ::


Quinta-feira, Julho 15, 2004



Na última vez que troquei meu nome por um outro nome que não lembro mais tinha certeza: ninguém poderia me encontrar. Mas, que ironia... Minha própria vida me trouxe de volta ao ponto de partida como se eu nunca tivesse saído de lá. Sou um móbile solto no furacão... Qualquer calmaria me dá solidão. Quando a âncora do meu navio encosta no fundo, no chão, Imediatamente se acende o pavio e detona-se minha explosão Que me ativa, me lança pra longe Pra outros lugares, pra novos resentes
Ninguém me sente...
Somente eu posso saber o que me faz feliz.



:: Maris :: 12:14 PM ::


Segunda-feira, Julho 12, 2004



Nooooossssaaa!!! Quanta teia de aranha e que cheiro horrível de mofo!!! Não tenho condições de escrever (vale salientar que na verdade nunca tive), o cansaço dessa vida de gente "responsável" não me permite, tá difícil! Se antes o problema era só o de passar as idéias pro papel, agora é pensar...




trabalha trabalha trabalha trabalha trabalha



corrida contra o tempo



não pára não pára



cansaço




NÃO PENSA




Hora de dormir




Brainstorming




AAAAAAAAAAaaaaaaaaaa



Que sono!!!



Amanhã tudo de novo...




P.S.1: Calma Lila, em breve serás a musa do QPM!!!
P.S.2: Também quero deixar claro aqui o meu protesto... Maris, cadê você??? Gente, pode reclamar mais com ela, por favor.


:: Debs :: 10:31 PM ::


Quarta-feira, Junho 30, 2004





''Não me chamo mais Paulinho Moska.
Agora é só Moska. Quarteto Móbile/Moska.
Eu falso da minha vida o que eu quiser.
Falso sem o verdadeiro como oposição. Falso porque a verdade está morta. Falso porque o amor está livre. Falso porque a felicidade é um exercício, uma prática, um território de delírio.
Falso porque estou vivo e a vida é um labirinto de encontros em que cada curva que optamos revela o "principício" de um novo labirinto de possibilidades. E as curvas que deixamos para trás se transformam em realidades "falsas", encontros que nunca teremos
Pois é, eu falso assim.
Agora será no falso que eu afirmarei a minha verdade.
Não na forma e sim no conteúdo.
Sem contornos.
Sem Paulinho.'''


:: Maris :: 12:53 PM ::


Quinta-feira, Junho 17, 2004



Milhões. São milhões de pessoas que não gostam do que gosto. Milhões são as coisas e mais ainda são as pessoas de quem não gosto. Não gosto discaradamente. Escarro, piso, passo sem ver, fujo covardemente de tudo que não me agrada. Ou acho que não me agrada. Quem inventou que tem que ser desse jeito metódico, desse jeito ridículo, insensato, vazio, triste, igual. Quem foi que inventou, porra? Faça o favor de me procurar. Não para um acerto de contas. Mas para me fazer entender. Porque eu só posso ser muito é burra. E eu odeio ODEIO ser burra por não me fazer entender, não querer ver, não estar nem um pouco a fim de viver essa merda toda.

:: Maris :: 8:55 PM ::


Sábado, Junho 12, 2004



O Tempo Não Pára


Disparo contra o sol,
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas,
Eu sou o cara.

Cansado de correr
Na direção contrária,
Sem podium de chegada
Ou beijo de namorada,
Eu sou mais um cara.

Mas se você achar que eu estou derrotado,
Saiba que ainda estão rolando os dados,
Por que o tempo,
O tempo não pára.

Dias sim, dias não,
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
da caridade de quem me detesta.

a tua piscina está cheia de ratos,
Tuas idéias não correspondem aos fatos,
O tempo não para.
Eu vejo o futuro repetir o passado,
Eu vejo um museu de grandes novidades,
O tempo não para,
Não para, não, não para!

Eu não tenho data pra comemorar,
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulhas no palheiro,
Nas noites de frio é melhor nem nascer,
Nas de calor se escolhe: é matar ou morrer.

E assim nos tornamos brasileiros.
Te chamam de ladrão de bicha maconheiro,
Transformam um pais inteiro num puteiro,
Pois assim se ganha mais dinheiro.

A tua piscina esta cheia de ratos,
Tuas idéias não correspondem aos fatos,
O tempo não para.
Eu vejo o futuro repetir o passado,
Eu vejo um museu de grandes novidades,
O tempo não para,
Não para, não, não para!




:: Debs :: 11:55 PM ::


Sábado, Junho 05, 2004



Meu pensamento só quer pensar em quando a sua voz me falou : ''vamos!''. A religião que nós duas inventamos merece um definitivo talvez. Você não precisa dizer mais nada que ainda consigo escutar. No futuro da minha memória você está comigo em todo lugar.
Quem podia garantir que não ia mudar?
Eu fiquei sozinha até achar que estar sozinha é achar que tem alguém. Não vou voltar atrás, o chão sumiu a cada passo que eu dei. Eu andei e enxerguei exatamente onde algum dia você disse que partia pra nunca mais voltar. Assim, sem dizer adeus.
Eu grito pros surdos meu silêncio estridente. Eu não chamo mais pelo meu nome quando me procuro para conversar. Me apaixonei pela dor e ninguém conseguiu acreditar. Depois de um sono tão profundo é duro acordar e ver que no mundo é tudo novidade, mas eu já conheço então volto a dormir que é pra ver se me esqueço que meu pensamento só vai pensar quando eu fizer seu coração vomitar. Você alcança seu objetivo e não percebe que ele não está mais lá. Você não foi a mesma personagem desse teatro que eu quis viver. Pode me enganar me confundir me atrapalhar me explodir me trair me abandonar me repartir me desdobrar e até fugir pra desistir de me matar.
Quem vai romper o cordão que nos prende ao passado? O amor que eu te tenho é um feto tão novo que não deveria se chamar amor. Poderia se chamar universo porque sei que não o conhecerei por inteiro. Poderia se chamar palavra louca que na verdade quer dizer aventureiro. Poderia se chamar silêncio, porque minha dor é calada e meu desejo é mudo. E poderia simplesmente não se chamar para não significar nada e dar sentido a tudo.
Mas agora é para sempre nunca mais.
Quem vai poder entender meu mundo de duplo sentido?
Como é que eu pude deixar me perder se nunca sequer me encontrei?



Eu ando pela rua a te chamar
Mas na verdade, tanto faz
Porque visto as frases que você me deu
Mas elas não me servem mais
O que aconteceu com seu futuro que era o meu?
Agora não adianta mais me responder
(nem venha me dizer)
Quem passou do ponto onde era longe
E de que jeito era o certo
Porque minha dor sempre se esconde
Mas nunca sai de perto
O que aconteceu com meu futuro que era o seu?
Eu não vou provar do seu antídoto
Que me salva e me condena a me encontrar perdido
Não preciso de você pra descobrir
Que a estrada infinita que tenho que seguir
Não leva a nada
Começamos o fim... É assim
O melhor pra você, o melhor pra mim
Eu não voltaria mesmo
E você não podia ter ficado aqui
(nunca foi tarde)
E hoje quando amanhece sol
Abro a janela para a chuva
Que coincidência: tua mão
Não cabe mais na minha luva
O que aconteceu com o futuro que morreu?...
Ou nunca existiu?
Você nem olhou pras coisas que admiro
E nem me ouviu
Mas era eu quem te chamava com meu último suspiro
O que aconteceu com o futuro que se perdeu?
(nunca foi tarde)



:: Maris :: 2:51 PM ::


Quarta-feira, Junho 02, 2004



Não sou o guia dos curiosos, mas hoje é o dia internacional da cirurgia... hhehehee brincadeirinha!!! Hoje aqui em casa, é o dia da lambança de cirurgias, meu pai de manhã e eu à noite. A do meu pai foi ótima, tirar um cisto no olho rapidinho, amanhã já tira o curativo, tudo beleza. Já a minha, pqp, sempre fico com a pior parte, só podia comer até uma hora da tarde de hoje, depois disso nem água posso beber mais, ninguém merece e logo eu que não paro o queixo, sacanagem! Internação ás cinco da tarde, ou seja, comer que é bom... HA!... só amanhã, meu bem.

Além do Guga ter perdido hoje, isso sim foi sacanagem, para completar meu périplo, advinha que horas vai ser a cirurgia??? EXATAMENTE, bem na hora do jogo de Brasil e Argentina. Além de correr o risco do médico sugar meu ovário em vez do cisto, não vou ver o jogo (um tanto quanto óbvio, não é?!) e, principalmente, a parte que eu considero a mais interessante num jogo de futebol internacional, que é hora em que tocam os hinos, isso mesmo, o grande ápice do jogo, a hora em que os câmeras fazem os closes nos jogadores, não falo da seleção do Brasil e sim, claro e evidente, sempre das seleções adversárias, que geralmente ganham do Brasil no quesito beleza, e diga-se de passagem, de lavada.

Mas voltando ao tênis, é um jogo muito.... eeerrrr... como posso dizer?! É um jogo muito sugestivo, digamos assim, pra não dizer erótico. Não tocando num fator meio óbvio, no que concerne a trocadilhos "infames" com o nome do jogo, realmente é um jogo muito provocativo, principalmente pra quem tem a mente parecida com a minha.... hhehehhehehheheh. É uma arapuca erótica com certeza, a começar pelos jogadores, geralmente muito gatos, claro que de novo o Brasil sai em desvantagem neste quesito. Um game point a favor do Brasil são os gemidos maravilhosos do Guga, fala a verdade, são uma loucura, aí eu nem dou só um game point, dou um set inteiro pra ele. Pra finalizar, quem viu o jogo dele hoje? Putz, mais sugestivo do que tudo, foi a massagem que ele recebeu do fisioterapeuta, depois de levar um tombo, na coxa direita, por debaixo do short, quase que eu dou um pulo de cima da cama, fala sério, imagina isso ao vivo?! Aiai!!! Mas tive que me conter, pois estava a assistir o jogo com o meu pai.

Enfim, não bastasse eu ter que ficar 15 dias de molho, é claro que, tudo vai acontecer nesse período pós-operatório. Raves, show de Zeca Baleiro, festas na boate,despedida de amiga que está partindo pra Londres, é isso mesmo, acontece nas melhores famílias. E tão cedo, vou poder ver outro jogo do Guga. Vai ser f***!!! Tudo bem, como já disse Nietzsche: "O que não me mata, me fortalece". Preciso me desligar de tudo e conter meus ânimos, vai ser difícil mas... veja um maravilhoso começo, não tenho namorado, "amigo" ou coisa que o valha, graças a deus, porque aí sim seria um problema gravíssimo e provavelmente eu voltaria pro hospital com hemorragia... hehhehehehehe. Bom, agora só me resta torcer pro anestesista ser um gato, aí sim vai sair melhor que a conta. Olha a equação: ANESTESIA + GATO, show de bola!!!

Como não poderia deixar de ser, o diálogo que sempre antecede as aventuras:
- Maris, acho que vai ser dessa vez...
- É, acho que a gente não passa dessa vez mesmo...
- Mas essa bosta tem que ser só no final... você sabe que minha mãe sonhou essa semana com isso né?!
- Ai, Debs, tá bom, já parei a brincadeira...
- HAHHAHHHAHHAHHAHHAHAHah
Desculpe, desculpe, não resisti, mas se eu for morrer mesmo, lembre-se...
...
Morrer é o C*****, tenho muito que curtir as 4 melhores coisas da vida: comer e viajar!!!






:: Debs :: 2:59 PM ::


Terça-feira, Junho 01, 2004



Historinhas pra dormir!!!

Alguém já contou alguma história pra você??? (tô falando no sentido literal da pergunta)

Você? Já se "contou" uma história pra dormir??? Se não, experimente, é muito legal!!!

Todo dia eu me conto uma história, sabe? Aquelas, na mente mesmo, pra dormir ou pelo menos tentar, que nem um filminho. É. Historinhas. Filminhos. Historinhas-filminhos. Na verdade, elas não me ajudam nada a dormir, principalmente em alguns períodos, digamos, em que a temperatura corpórea se eleva um tantinho. Mas, sabe aquele lance de sonhar acordada? É ótimo. Fazer filminhos, adoro isso. Algumas pessoas chamam de pensamentos (é, eles não servem só pra dormir, servem pra passar o tempo também entre outras coisas). Eu chamo de filminhos, porque muitas vezes eu repasso eles no meu dvd... hehehhehheehhhe. Tristar Internacional, Fox, Pixar, Miramar, O2, são fichinha. Hollywood?! HAHAHA!!!

A criação e produção são infinitas e instantâneas, iniciada a partir do menor contato visual ou um simples pensamento, flash ou algo do gênero. Não preciso sair correndo atrás de patrocinadores, apoio, elenco, nada, absolutamente nada. Sou a própria câmera, câmera-woman. Ando com minhas máquinas por aí, fazendo imagens de tudo e, principalmente, de todos, sem assinaturas prévias de permissões de veiculação de imagens e tudo. Direção própria também com único aval, o meu. Edição feita no ato da exibição, se algo der errado, é corrigido na horinha. Personagens entram e saem de cena a toda hora, com deixas improvisadas, com o único intuito de usar e abusar da imagem alheia na hora em que me for conveniente. As imagens das alocações também são amplamente exploradas, diversificando na utilização de todos os ângulos e logradouros. O bom é deixar a imaginação correr solta e criar. Não deixar escapar nenhum estímulo de criação, que pode ser dos mais variados tipos possíveis: um lugar legal, um(a) professor(a) do curso que você acaba de entrar, um(a) coleguinha de sala, alguém numa fila ou sala de espera, no ônibus, no banco, na feirinha de artesanato, seu(ua) vizinho(a), uma lembrança e por aí vai...

O "problema" desses filmes é que, devido a sua fácil exibição, eles são altamente viciantes. Quem toma gosto pela coisa, abusa mesmo, fazendo criações-exibições a qualquer hora e lugar. Não tenho idéia de quantas exibições faço por dia, só posso dizer que com certeza uma delas é antes de dormir, que é a de praxe. Claro que, sempre seguindo meu estilo e meu gênero prediletos. Se tem um Oscar (quero deixar bem claro aqui que me refiro ao tipo de premiação, viu? Sem piadinhas, por favor!) pra essa minha "indústria"??? É óbvio. Mas essa premiação também é uma cerimônia solitária e ocorre em algumas noites. Qual é o prêmio??? É quando eu acordo no meio da noite com um orgasmo bem demorado. Bravo!!! Bravo!!!

When You Sleep
(Cake)


When you sleep
Where do your fingers go?
What do your fingers know?
What do your fingers show?
Where do your fingers go?

When you sleep
Do they tremble on the edge of the bed?
Or do you fold them neatly by your head?
Do they clench like claws against your own skin?
When you¿re living your day all over again?

Do they play guitar in a Latin bar?
Are they strangers or lovers?
Do they drive your car?
Are they swimming submissively?
Sex acts of life...





:: Debs :: 12:37 AM ::


Quinta-feira, Maio 27, 2004



Juro que vou num psiquiatra (cadê você, Fernando?) saber o porquê de tudo o que eu faço acabar em putaria!!! (como diria minha velha amiga Maris, que aliás tá ficando famosa, pra vocês que não sabem ela tava morando com o Gomes da Silva, que foi preso na operação Vampiro... hehhehehehe brincadeira, só moravam no mesmo prédio)



:: Debs :: 10:58 PM ::


Quarta-feira, Maio 26, 2004



Acordar cedo.

Fazer hemograma.

Furo na orelha, pro coalugograma.

Corpo doído.

Olhos ardendo.

Dor de cabeça.

Febre.

Não, não é dengue, é minha velha amiga faringite.

Eletrocardiograma.

Melhor que isso??? Só passar o dia esperando ser atendida na clínica e quando consigo finalmente entrar, passar no máximo dez minutos pro médico fazer umas perguntinhas besta e escrever no papel, dando uma autorização pra cirurgia.

Melhor ainda, é chegar à noite, você ir pra sala tentar escrever algo e dá de cara com seus pais no sofá... eeerrrrrrr..... acho melhor deixar pra lá!


Enfim...

Pra variar, não tô com cabeça pra escrever... hehehhehhehehhee




:: Debs :: 9:48 PM ::


Quinta-feira, Maio 20, 2004



É. Mulheres, vai entendê-las né? Ontem foi muito engraçado (tá até parecendo... nada, deixa pra lá). Minha professora (louca, mas louca de verdade mesmo) veio pra aula dizer que não poderia ministrá-la, deu alguns recados, discutiu alguns assuntos e no final do aviso decidiu que eu iria dar a aula, não tinha coisa melhor pra me acontecer. EU numa sala "desconhcida" dando aula, só teria uma coisa pior pra me acontecer, que seria se aparecesse uma barata, mas graças a deus... Bom, voltando ao assunto, vi minha querida idolatrada salve salve professora dando adeus e gritando que eu seria a responsável pela aula, tudo bem, foi aí que eu parei e prestei atenção na sala e me "coloquei" no lugar da professora. Foi praticamente um filme de terror, um verdadeiro pesadelo, eu que tenho pavor de falar em público, nem que seja pra apenas uma pessoa, extremamente tímida fiquei de cabelo em pé, ainda mais se não bastasse um detalhe... na minha sala são quase 30 mulheres, eu digo, só e somente só mulheres, sem noção. Nos idos da aula, olho para um lado e o que é que eu vejo?! Uma ex-colega de sala com o sobrinho nos braços chamando a irmã que assistia a aula pra dá de mamar pro filhinho dela, claro, ela pega seu filho e naturalmente dá o peito pro seu filhote (de 2 meses apenas) que logo após começa a chorar, acontece. Isso tudo, enquanto uma brinca de tomar a pinça da outra que está tirando a sobrancelha, outra fala do namorado que acabou, uma fala que tá seca, outras duas ficam zoando da cara dessa uma e é mais ou menos por aí, que se dá a feira, quero dizer, aula. Mas no fim das contas sobrevivi a essa guerra, porém sinceramente, rezando para que existisse algum ser com um P** no meio das pernas, não pra passar a aula imaginando todo tipo de sacanagem com ele (isso já é uma coisa óbvia, claro que dependendo do tipinho), mas pra ver se elas se comportariam de outro jeito, sei lá, talvez a presença de algum ser de marte as inibiriam. Com toda pureza d'alma agora sinto pena da minha professora, tadinha, ter de matar um leão desses por aula, é F***! Mas, como já dizia o velho Tim, "uns nascem pra rir e outros pra chorar"(acho que é isso). E como não podia deixar de ser, lá vai minha homenagem a elas:



Todo homem deveria ter um carro
Ou senão nem precisava ter testículos
De quê serve um testículo sem carro
Sem um carro, testículo é um saco
Certíssimo
Deve ser algo nas revistas que elas lêem, Mulher
Ou quem sabe naqueles cosméticos, Mulher
Para cada satisfeita, Mulher
Existe um homem morto, Mulher
Pode ser algo no rádio
Deve ser algo no rádio

(Mundo Livre S/A)




:: Debs :: 11:58 PM ::


Terça-feira, Maio 18, 2004



Ó blog, é tão difícil escrever aqui agora. Você não me reconheceria. E eu também já não me sinto tão atraída. Foi embora. Aquela paixão arrasadora, os posts famintos para serem publicados, a paciência de responder comentários, tudo isso passou. Desculpa te falar assim, na cara, mas não tenho como fugir da minha sinceridade. Agora é assim, só te procuro quando eu quero.

Mas não se preocupe, por mais que demore, sempre passarei aqui pra te acalentar.



:: Maris :: 1:47 PM ::


Sexta-feira, Maio 14, 2004



Às vezes, quando paro pra pensar (isso não soa muito legal, né?!) na "natureza" humana, fico incrivelmente impressionada. Impressionada, não no sentido bom da palavra. E pra piorar tudo, escrevo esse texto com uma trilha nada legal, nada MELHOR que você ouvir um familiar assistir ao programa do Leão, é ... acho melhor parar por aqui! A "sede de sangue", podemos assim dizer, seria o aspecto que eu quero me ater. É impressionante o prazer que as pessoas tem em, de algum modo, participar de qualquer tipo de desgraças, pode ser: presenciando ou repassando a notícia ou coisa que o valha. Sei lá, mas é válido salientar que o barato desse lance é ser o primeiro a dar a notícia e, se possível, pro maior número de pessoas, é incrível, chega os olhinhos do locutor brilham de satisfação. E quando ele participou então?! Nem que tenha sido apenas pra aumentar o tumultuo ao redor do acontecido e atrapalhar o socorro, aaaaaahhhh aí é melhor do que ganhar da Argentina de goleada no final de uma copa do mundo.
"Minina, você já soube do que aconteceu agora de tardezinha?! Uma coisa horrível, eu vi bem na hora do acontecido..."
E quando uma está com algum tipo de enfermidade?! É óbvio que nada grave, mas é claro que na hora da transmissão dos fatos sempre tem um agravante, quero dizer, alguns agravantes. Não é preciso explicitar que, essa transmissão é realizada com todos os requintes de suspense e terror, de todos os tipos, fazendo qualquer obra de Stanley Kubrick virar fichinha. Praticamente só faltando aquela vinheta dos boletins de guerra da globo.
Depois de se deliciar com a primeira vez (isso soou legal!), começa a corrida contra o tempo pra contar para o maior número possível de pessoas, primeiro pro círculo de amizade e depois pras pessoas desconhecidas, mas se consegue juntar os dois, o sanguessuga vai a loucura.
E como tem doido pra tudo nessa vida, essas criaturas alimentam suas loucuras de várias formas, seja vendo aqueles jornais de baixo escalões ou comprando o jornal de sua cidade pra saber mais detalhes ou quando in loco (quando chega um pouquinho depois do fato) sai perguntando pra todo mundo o que houve, entre outras atrocidades.
É simplesmente estarrecedor... e o mais estarrecedor de tudo é me ver falar disso com tanto detalhe, né?
HUMPF!!! Não gostei disso, droga! Esse pensamento me fez perder a linha de raciocínio. (heheehe vamos fingir que foi isso mesmo!)
Na verdade, eu fiz esse post por um motivo, o qual não vou expor aqui, é claro!
Pronto! Essa é uma boa deixa pra acabar... não consigo pensar mais.
Não sei... e tudo que eu vejo agora é a luz do monitor refletida nos meus pelinhos loiros da barriga através de meus...

:: Debs :: 12:31 AM ::


Terça-feira, Maio 11, 2004



Poxa, nada inspirador pra escrever!!! Na frente do computador, a mesma tela em branco que eu vejo reflete diretamente o meu cérebro, numa sinapse inexplicável e espetacularmente exata...

"Tudo novo de novo, vamos nos jogar onde já caímos.
Tudo novo de novo, vamos mergulhar do alto onde subimos..."
(Paulinho Moska)

Na verdade, era pra eu ter feito um post ontem com essa música. Uma ótima trilha pra uma segunda-feira. Eu iria "filosofar" a respeito desse contexto.
MÚSICA + SEGUNDA-FEIRA + O QUE SE PASSA COMIGO = RECOMEÇO
Basicamente o post seria sobre isso (aliás, pelo menos eu gosto de crer nisso),mas acabou não sendo nem vou fazê-lo agora.

Tanta coisa e ao mesmo tempo nada, não adianta forçar, por mais que eu queira infelizmente não dá.

Meu irmão: " Débora, conversei com aquele seu amigo de sala pelo MSN, lá em Curitiba, daí ele disse, todo preocupado, pra eu não falar pra você que ele era..."
GARGALHADAS E GARGALHADAS
Poderia falar sobre a lógica da máxima do filme Deus é brasileiro: ":A viadagem é que vai salvar o mundo" (algo nesse sentido, não lembro exatamente)

Poderia destilar meu veneno em cima das cunhadas (né Maris?!), falar sobre família, hipocrisia, religião, futebol, saudades, medos, dia das mães (um beijo pra elas hahhahahaha), política etecetera e tal.

AAAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Que sono, acho eu vou dormir!
Boa Noite




:: Debs :: 10:50 PM ::


Sábado, Maio 08, 2004



Bom, eu não tenho nenhuma novidade mirabolante digna de um post de re-estréia.
As coisas estão acontecendo naturalmente, estou com saudade de algumas coisas, de algumas pessoas e nada me faz parar de pensar que eu sou a pessoa mais filha da puta que existe no mundo.
Enfim, ando escutando o silêncio e me conhecendo mais do que ao longo dos meus 19 anos.
Não dá mais pra escrever porque estou num cyber no meio do shopping lotado.
As crianças que passam com algodão doce e tênis colorido me lembram minha sobrinha e me dá vontade de chorar.
Quem a ver dê um amassão bem grande nela, primeiro porque ela é muito fofa e depois porque a mãe dela vai odiar.
Brincadeira sem graça.

Debs, cuida disso aqui viu.



:: Maris :: 4:06 PM ::






Tá vendo como são as coisas?! Eu juro que eu tentei ajeitar o template, a tirinha que eu queria não deu certo (vai ser burra lá na casa do c*****), então é sob muito pudor e acanhamento que sou, posso assim dizer, obrigada a deixar essa figura que me causa um rubor fora do comum em minhas têmporas anêmicas. Prometo que com mais calma, paciência e menos sono, tentarei de todas as formas possíveis alcançar meu objetivo de colocar essa tirinha desgraçada aqui no blog. Vocês hão de ver!!! (na verdade, era pra ela já está aqui pra combinar com minha declaração de amor, mas tudo bem) E se fosse mais cedo, eu juro que escreveria sobre o dia de hoje, que na verdade foi ontem, o que posso considerar um dia meu, que é (ou foi) o dia do silêncio. Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é ouvir o silêncio. Tentem fazer isso, parar e ouvir o silêncio. Podes crer que não tem nada mais ensurdecedor e, ao mesmo tempo, maravilhoso de ouvir. Não desmerecendo Moska, Cordel, Cake entre outros, É ÓVIO!!!



:: Debs :: 1:56 AM ::


Quinta-feira, Maio 06, 2004



É. Hoje não é uma data muy legal pra mim. Não traz lembranças muito boas.E pra você? Como é que tá sendo? E ainda por cima, só faz aumentar a "raiva" que eu tenho de certas pessoas da minha família. E a cada conversa, eu descubro mais coisas. Mas é a vida né?! Ou seria a morte, porque só depois dela é que você virou a pessoa mais importante da família, mais adorado do que o mais adorado dos santos. Na morte você chegou à perfeição, você passou a ser: o filho mais pródigo, o mais amado, o xodó, o que sempre fez as coisas certas... resumindo, automaticamente você virou totalmente o contrário do que te "acusavam" quando era vivo... Mas é isso mesmo... Creio que seja uma forma de remorso, por tudo o mal que eles te fizeram e talvez, de algum modo, continuam te fazendo, não sei bem. Não fui a nenhum canto específico hoje, só pra me lembrar de você, porque na verdade não é e nem nunca foi preciso isso. Daria tudo pra saber como você está agora. Umas das piores coisas é essa saudade que vem me comendo a prestações a perder de vista, mas é isso mesmo, essa dívida nunca vou poder pagar por completo. Agora vou indo, tá?! Vim aqui só pra te dar um alô, pra dizer que vou indo bem na medida do possível, notícias dos outros não vale a pena te dar (apesar de achar que você já as sabe), apenas por motivos de forças pequenas, praticamente invisíveis e indizíveis, pra não dizer nulas. Sem mais delongas, desde já tô indo, viu? Beijão e Saudades



:: Debs :: 11:16 PM ::


Quarta-feira, Maio 05, 2004



- Ele não pára de olhar pra cá!!!
- Porra, gato do c****!

Dj colocando a pista abaixo, a galera enlouquecendo.

- Acho que é com você!!!
- Não, não... você acha?! Acho que não é comigo não...
- Peraí... fique de frente pra mim.

...

- E aí?!
- Vá lá falar com ele, pergunte o nome dele, como é que ele vai voltar pra casa e tals, puxe assunto com ele...
- Você tá louco?! Vou nada, eu morro de vergonha, sou muito tímida!!!
- Caraca, eu não acredito que você não vai falar com ele, vai deixar esse gato escapar?!
- Ah, não vou falar com ele nem a pau!!!

Depois de muita insistência e os outros tentando dizer que não precisava daquilo.

- Vá lá menina, fale com ele só puxe assunto e depois me apresente.
- Não, não tenho coragem de falar com ele, vou chegar assim do nada?!
- Só pergunte o nome dele, eu ajeito o resto...
- Não, não consigo chegar lá e sei lá, vou perguntar o quê e depois... vou dizer: "ei, você quer ficar comigo?"...
- Peraí, você tá pensando que isso é com quem???!!!
- Ah tá!!! Foi mals Vítor, eu tava pensando que era comigo... ehhehehehheh.... mas mesmo assim, não tenho coragem de ir lá falar com ele!!!
- Porra Débora, você me paga!!!


:: Debs :: 10:09 PM ::


Segunda-feira, Maio 03, 2004



Nossa, quanto tempo?! Gente não é a Maris... quem vos escreve é a Debs! Não, não sou o alter-ego da Maris, sou de carne e osso mesmo e co-(ex)sócia-fundadora do QPM. Depois do meu último post, que causou alguns "transtornos", tinha decidido não mais escrever, mas como decisões são para voltar atrás, estou escrevendo a pedido de minha irmã, amiga, ex-cunhada, companheira de aventuras, de viagens (em todos os sentidos), de baladas, ex-futura-colega de sala, quase-companheira de apartamento, confidente e vidente, para resumir um pouquinho... MINHA TUDO!!! O pai dela até já deu permissão pra gente se casar, hehhehhhehhe! Calma gente, não somos homossexuais, mas sem dúvida ela é a mulher da minha vida. E não dá pra descrever a saudade que eu tô sentindo dela, parece até que eu vou explodir. Eu sei que quando ela ler essa post (o que eu acho que vai demorar um pouco porque ela tá sem computador) vai querer me matar e parece até que eu já tô vendo os comentários maldosos, mas é isso mesmo, já tô acostumada com isso, não é novidade nenhuma pra mim. Mas desde já declaro aqui meu amor por meu amor:

"... Ela é meu domingão de sol, ela é meu esquema, ela é meu concerto de rock and roll ... minha torcida gritando gol, minha Ipanema ... ela é meu retiro espiritual, ela é minha história, ela é meu desfile internacional, ela é meu bloco de carnaval, minha evolução, galega tento descrever o que é estar com você, princesa todos vão saber que eu estou muito bem, com você. Ela é minha ilha da fantasia, a mais avançada das terapias, meu playcenter, ela é minha pista alucinada, a mais concorrida das baladas, meu inferninho, ela é meu esporte radical, poderosa viciante mas não faz mal, meu docinho, ela é o que meu médico receitou, Rivaldo Maravilha mandando um gol, minha chapação, galega nem dá pra dizer o que é estar com você, princesa todo mundo vê que eu sou mais..." (Mundo Livre S/A)


P.S. 1: Apesar do joelho podre e estar enlouquecendo sozinha naquele apartamento, a Maris está muito bem!!! Não se preocupem, logo ela dará notícias.
P.S. 2: Se eu tivesse um P**** ela me pediria em casamento só por causa dessa música. (palavras dela!)




:: Debs :: 4:48 PM ::


Sábado, Abril 17, 2004



Aviso ao pessoal que me manda e-mail:
Não estou podendo responder porque meu computador está bichado, não entra no site do hotmail nem a pau.
E o outlook não envia meus e-mails..
Como a grana e a paciencia com essa merda de computador estão praticamente escassas, não posso dar previsão de resposta.
Viu? Não morri.

Debs, esqueceu meu telefone, minha filha?

:: Maris :: 1:43 AM ::


Quarta-feira, Abril 14, 2004




Foda-se o espelho. Eu sei do que ele é feito. De tempo. Para pensar, para descansar, para se arrepender, para recomeçar, para virar a página, para resolver questões. Tempo para se arrepender do que foi feito às pressas e de tudo o que não se ousou por preguiça e ansiedade.
Agora mesmo tenho assuntos a resolver, e sei que vou resolvê-los. Tenho planos a concretizar, mas caso eu não consiga desta vez, nada - nada - vai mudar. Porque eu simplesmente não tenho pressa, não devo absolutamente nada a ninguém - e isso é o mais importante de tudo - e tenho a mais plena consciência de que meu caminho está apenas começando. O grande desafio agora é romper com a ansiedade. Por que com o resto todo, com tudo o que poderia me parar, eu já rompi há algum tempo. Hoje não me interessa o que qualquer um ache de mim, não me importa como serei julgada por quem quer que seja, e já estive muitas vezes na merda, o que já me mostrou com quem posso contar. Esses são muito poucos, e a esses eu devo apenas uma coisa: sinceridade. A esses, prometo ser eu mesma o tempo inteiro.
Não sei onde vai dar esse desejo de superação, mas para onde eu for, sei que vou levar a insatisfação e o desejo de viajar para longe. Sem bagagem.



:: Maris :: 10:01 PM ::


Quinta-feira, Abril 08, 2004



De : Karinna França
Enviado : quarta-feira, 7 de abril de 2004 15:09:27
Para : marianamonteiro@hotmail.com
Assunto : RE: error


ei ai, como ta com o lance de escrever? nadinha nem por papéis?
sei como é isso... tb ando sem... hã... como é msmo o nome... ah, inspiração!!

e n é q não esteja acontecendo nada de legal ou emocionante, ou q eu nao consiga sentir d verdade as emoçoes das coisas. é so pq n estou inspirada. culpa das palavras...

elas (as palavras) andam numa fase meio repetitiva. parece q todas elas ja passaram pelos papeis, q ja se apresentaram pela fala, q ja sao todas bem comuns.
isto me irrita as vezes!
principalmente qdo elas se rebatem em justificativas. arranjam desculpas pra tudo!

mas n é o fim do mundo. uma hora tudo passa...
sei q d repente, elas (as palavras) vao cansar e ai vao pedir auxilio. vao chegar mansas e como se n soubessem muito o q dizer.
ai eu as ajudo. finjo q n sei bem o q esta acontecendo, me junto a elas, fazemos as pazes e tudo volta a ser como era antes.

é só uma fase independente das palavras. já,já tudo se resolve!
ninguem consegue ficar muito tempo sozinho.

bjos

_karinna_





:: Maris :: 4:52 AM ::


Quarta-feira, Março 31, 2004



A quem perguntou...

Não sei. Sei lá.
Não to mais a fim de escrever.
Não sei por quanto tempo.
Cada dia é tão diferente, que amanhã mesmo posso postar alguma coisa.
Mas agora não dá mais. Eu estou completamente abusada.
Argh. Abusada.
Tudo que eu tava escrevendo refletia sempre um lado pesado, um ar triste, penoso.
Não quero que seja assim.

Até breve.


:: Maris :: 3:59 PM ::


Sábado, Março 20, 2004




As pessoas me perguntam o tempo todo como eu me sinto morando sozinha. Simples minha gente. Sozinha.
Mas eu digo que me sinto normal. Sabe, pra não assustar. Ia demorar explicar que não é um sozinha-ruim.
Ia acabar dizendo que - o que não é mentira - estou meio que realizada.
Meio que essas coisas bem frescas de folhas de diário.

Morar só é se sentir só quando vê que só tem uma escova de dentes na casa.
É não ter como gastar o número de palavras suficientes para um dia.
É dar boa noite ao William Bonner. Que está de férias.
E ainda cantar músicas bregas que meu pai toca no violão. Que detesto, inclusive.

Fora isso, é tudo mais razoável.
Eu posso deixar qualquer coisa em qualquer lugar.
Posso esquecer a toalha e sair do banheiro molhando a casa toda.
Posso deitar na varanda e esperar o sol me secar.
Posso chegar e jogar as coisas pra qualquer lado.
Enfim.
Mil coisas.

Menos conversar com alguém e contar como foi meu dia, eu sei.
A solidão é fera, mas por enquanto, não devora.

Estou bem, pai. Pode ficar tranqüilo.


:: Maris :: 10:59 PM ::


Segunda-feira, Março 15, 2004




HAAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHA
AHUEHUAHEUHUAHUHWUHUAHUAHUHAEAUHUIHBHAHAHA
AHUHEUHRUIHUIWHBJKVKVPJBIRHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
AHUEHUAHUEHUAHUHEUHAUHEUHAUHEUHAUHEUHAHAHAHA
AHUEHUHAKKKKKKKNAUNUONUBCKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
HAAHAHAHAHAHAHHAHAHHHAHAHAHAHAHAUHAUHEUHEUH
AHUSABIJEWIBCUIEBWWIUECWUIEIGHAHAHAHAHAHAHAHAH
HAAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHA
AHUEHUAHEUHUAHUHWUHUAHUAHUHAEAUHUIHBHAHAHA
AHUHEUHRUIHUIWHBJKVKVPJBIRHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
AHUEHUAHUEHUAHUHEUHAUHEUHAUHEUHAUHEUHAHAHAHA
AHUEHUHAKKKKKKKNAUNUONUBCKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
HAAHAHAHAHAHAHHAHAHHHAHAHAHAHAHAUHAUHEUHEUH
AHUSABIJEWIBCUIEBWWIUECWUIEIGHAHAHAHAHAHAHAHAH

Ahn...

:: Maris :: 10:42 PM ::


Sábado, Março 13, 2004



Parece que o meu passado é um tempo muito distante.
Parece que eu não vivi aquelas coisas todas.
Parece que eu nunca vou ser uma pessoa melhor do que costumava ser.

Acabou.
O espetáculo acabou no último verão.
A vontade de ver fazer sentir qualquer coisa ficou por lá.
Foi quando fui dormir e não quis mais acordar.

É como se esse espaço de tempo tenha sido apagado do calendário.
Como se todos os sentimentos tivessem ali se dissipado.
Como se meu coração, tanto tempo sentindo nada, tivesse atrofiado.
Como se fosse um apêndice. Sem função.
Todo esse tempo.
Todo esse nada.

Talvez o primeiro dia do resto da minha vida tenha sido na semana passada.
Talvez não será nunca mais.



:: Maris :: 10:46 PM ::


Quarta-feira, Março 10, 2004




O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras